Morar sozinha não é ser sozinha

Outro dia tava fazendo um balanço do meu 1 ano e 4 meses de “morando sozinha”.

Sair da casa dos pais sem muitos motivos aparentes sempre deixou meus amigos muito curiosos e como naquela época estava tão afastada de todos, todo mundo concluiu que eu tinha me casado. Ria um pouco disso e outras vezes me irritava porque sempre parece que sair da cômoda vida da casa dos pais só na base do casamento, mesmo eu já tendo 24 anos.
Não casei, resolvi sair de casa com a cara e a coragem bancar as coisas como se tudo fosse muito prático e simples, mas não é.

Todo mundo imagina que saindo da casa dos pais as coisas tendem só a melhorar, liberdade com horários, com convidados, com a rotina sem a opinião de ninguém. Na prática a realidade não é só essa maravilha toda, a independência gera gasto e exige maturidade que se você já não tem vai adquirir as duras penas.

Me irrito muito quando alguém de alguma forma se insinua sobre eu estar sozinha, me sentir sozinha ou qualquer coisa assim. Esse tipo de julgamento é bem comum no meu trabalho, espero que algum deles leiam isso aqui. As pessoas tem essa falsa impressão de quem mora só. Nunca estive tão bem e tão cheia de verdadeiros amigos na vida. Morar sozinha não é ser sozinha de forma nenhuma. Solidão nada tem a ver com companhia ou pessoas a sua volta.

Moro num lugar pequeno, mas o suficiente para mim. Acho que se eu morasse com outra pessoa aqui eu me sentiria sufocada.

Minha salinha
Do lado do meu prédio tem uma construção que há quase um ano e meio com exceção dos domingos me faz acordar às 7h da manhã, praticamente um despertador pessoal.

Tenho uma janela pequena na sala e no quarto que da de cara com essa construção oque me faz ter uma vista digamos… constrangedora, já que esta cheio de gente trabalhando e a qualquer sinal de abrir a janela lá estão eles de olho. A noite vejo corujas nos fios da segurança do meu prédio.

A vizinhança é bem tranqüila, mas bem egoísta, nunca reclamei de nenhum deles por maior que seja a bagunça 3 ou 4 vezes durante o mês e nas minhas 3 tentativas de festinha nesse tempo inteiro recebi trocentas reclamações via porteiro. Isso porque sempre foi tudo muito light imagina se fosse como as deles. Egoístas! Desisti, hoje eu prefiro ir para casa de alguém ou algum barzinho.

Os gastos de morar sozinha enquanto não se tem a própria casa inclui além do aluguel o condomínio, luz, internet e o perigoso mercado. Mercado é uma coisa perigosa. Eu me perco, compro aquilo que não uso, aquilo que uso e aquilo que eu acho que preciso. Até você se acostumar leva um pouco de tempo, no começo comprava umas coisas que até hoje estão lacradas ou mofando dentro do armário.

A limpeza da casa é uma constante pra mim, mesmo pequena a poeira da construção e de um tapete infeliz que comprei me faz perder um tempo que eu não queria perder.

Alimentação foi pra mim o maior problema. Não que eu não cozinhe… cozinho o trivial, não sei fazer as coisas mais deliciosas do mundo, mas o básico faço.

O grande problema é cozinhar só pra você, bate uma preguiça, durante um tempão troquei por comidinhas rápidas, prontas e de preferência entregues oque me fez ganhar muitos e muitos quilos extra, mas já dei uma melhorada nisso e to me acostumando a fazer coisas mais práticas, mas mais saudáveis.

Em relação a móveis tenho pouquinhos, a kit net já veio com fogão de mesa, frigobar, mesa, escrivaninha, cama, armários embutidos e microondas. Comprei colchão, tapete, duas estantes, um carrinho de banheiro e infelizmente um tapete que me arrependo profundamente. Como é tudo muito pequeno preferi tapetes a sofá, mas assim que puder vou comprar um. O resto se resume a alguns utensílios domésticos. Não gastei absurdamente, acho que juntando tudo ficou na faixa de R$1800 reais incluindo o primeiro supermercado que foi absurdamente caro haha. Tirando o sofá acho que não preciso de mais nada.
Não sei se posso transformar isso em regra, mas morar sozinha pra mim não teve muitos traumas, convivo bem comigo, sou organizada com meus horários e todo mundo que gosto mora por perto.

Em relação a grana me mantenho bem com meu salário e meus freelas. A única coisa que ainda não fiz foi ter meu cachorro, como aqui é pequeno não tenho coragem de manter um bichinho preso por tantas horas :( Quem sabe um gato? Ando pensando muito a respeito disso talvez daqui há algum tempo.

Talvez morar sozinha em outro estado seja mais difícil, por conta da saudade, do sentir falta, mas pra mim tem sido tranqüilo, qualquer saudade eu pulo na casa da minha família ou dos meus amigos. Passei por um momento complicado, mas já sob controle e pensei em voltar pro meu quarto lá na casa dos meus pais, mas não desisti, aprendi a ficar só nessas situações também e hoje eu estou muito confiante em tudo e somente num caso excepcional eu voltaria. Se você pode e quer não tenha medo, com certeza vai aprender e crescer muito.

Leio o blog da Rosane Queiroz, autora do livro “Só - Dores e Delícias de Morar Sozinha”, no blog ela faz umas perguntinhas rápidas para outras pessoas que moram só… vou copiar as perguntas dela e responder aqui xD

1. Antes só do que… sozinha.
2. Minha casa em três palavras: é minha cara.
3. O melhor de morar só: Banhos demorados
4. O pior de morar só: Falta do café da manhã da minha mãe.
5. O que não falta na minha geladeira: H2OH.
6. Antídotos contra a solidão: Livros, filmes e seriados.
7. As três últimas coisas que comprei: 1 sapatilha linda, um pacote de mais 3 meses na academia, uma camisa azul.
8. Quem eu adoraria levar para casa: Um gato. O bicho gato…
9. Quem jamais vai sentar no meu sofá: Não tenho sofá, ainda.
10. O que ando lendo: Crepúsculo e A Menina que Roubava Livros
11. A trilha sonora do momento: Músicas da Catpower
12. Uma receitinha esperta: Aqui
14. Uma frase que me move: Putz, to atrasada! xD

6 Comments

  1. Comment by Tiago on 21/01/2009 11:39 am

    Muito legal o post!! Eu adorooo seu espaço, acho ele muito bonito e realmente a sua cara! Você sabe que eu prefiro cachorros, mas se você comprar um gato eu vou gostar dele =D UHAEHUAEUHA. Beijão

  2. Pingback by 2000 e love. | Groselha News on 05/02/2009 6:46 pm

    [...] que nunca viu, beijou. De língua, esfregando o brilho na barba, o joelho no meio das pernas. Não doeu, não sarou e nem sangrou. Foi como comer doce de madrugada sem lembrar que hora as luzes [...]

  3. Comment by lila on 14/02/2009 9:26 pm

    sai da casa da minha mae aos 18. acabei descobrindo mais sobre eu mesma.
    voltei tempos depois. ja não era a minha casa. nunca mais foi igual.
    sem dramas. tudo foi bom. faria de novo.

  4. Comment by Rosa Fonseca on 12/03/2009 10:11 am

    Cara Claudia,
    Fui morar sozinha há 9 anos atras. Cai no seu blog porque sou chef de cozinha e estou elaborando um curso chamado “Sobrevivendo em casa”, dedicado a quem vai sair da casa dos pais, seja para morar sozinho, com amigos ou parceiros. E aí lembrei bem como foi o meu começo e o do tanto gente que conheci que foi morar sozinha. É uma fase deliciosa! Não resisti a dividir com vc minha experiência em adotar um gato, pq tbém não tinha coragem de deixar uma cachorro em um lugar apertado sozinha durante horas a fio. O resultado foi ótimo. Procurei um projeto de adoçaõ de animais chamado Adote um Amigo (em S. Paulo) e os próprios veterinários que me entrevistaram me ajudaram a entender as vantagens de ter um gato. Bem, ele pe meu companheiro inseparável há 7 anos. Carinhoso, ele dorme enquanto eu estou fora, me faz a maior companhia qdo eu chego e o melhor: é auto-limpante (gatos são muuuito limpinhos~. Sua casa não vai ter coco e xixi nem cheiro de animais).
    Toda a sorte para vc.
    Rosa

  5. Comment by Vida Sozinho on 19/05/2009 10:26 am

    Oi Cláudia,

    somos um grupo de estudantes do último ano de jornalismo e temos um blog sobre a vida de quem mora sozinho… se quiser participar com a gente ou dar sugestões, fique à vontade. Visite o nosso blog http://tccvidasozinho.blogspot.com

    Abraços.

  6. Comment by Klar on 28/07/2009 6:44 am

    Claudia…
    Esse post caiu como uma luva em minha nova vida. Ja tive uma experiencia de morar só na capital. Sai do interior onde vivia debaixo da saia da mamãe. O aprendizado foi enorme. As experiencias foram incriveis. De volta ao lar nao consegui me adaptar aquela multidao que habita a casa da mãe Nenê… muita gente, muito barulho, um banheiro, um quarto pra três. Hj consegui construir uma casinha e dei o grito final de independencia… pena que de vez em quando esqueco o miojo no fogão aceso… rsss!!! Abraços a todos que vivem só e bem acompanhados consigo mesmos!!!

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